Texto escrito por SERGIO MOTA e publicado dentro da sessão “Colunista Convidado”.
A maternidade é inconteste. A paternidade não! É em torno dessa possível verdade que gravita o relato pungente de O Filho Eterno, livro de Cristovão Tezza, publicado em 2007, que inspira o acontecimento teatral do ano: a montagem da Companhia dos Atores de Laura. A adaptação de Bruno Lara Resende fornece a fluidez necessária para que o livro entre no palco como uma obra autônoma, sem desmerecer o texto original. Não me lembro, nos últimos anos, de ver uma adaptação literária tão segura de si, a ponto de esquecermos, sem demérito, o seu ponto de partida. Os críticos que acreditam que literatura de ficção não pode render bom teatro deveriam aprender com essa transposição – termo mais adequado aqui do que "adaptação", porque o que Lara Resende faz é um atravessamento de soluções para traçar um novo caminho. Existe prêmio para adaptação teatral? Se não existe, está na hora de criar, não?




















